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De 2002 em diante os Colóquios têm-se realizado em Bragança, ainda
na base da descentralização, mas sobretudo devido à insularidade em termos
culturais. Portugal, como toda a gente sabe, é um país macrocéfalo; existe
Lisboa e o resto continua a ser paisagem. É muito raro os locais do
interior, os locais mais remotos como Bragança, poderem ter acesso a
debates de considerável importância sobre o futuro da língua. Estes
colóquios são a única coisa que se tem feito concreta e regularmente em
Portugal nos últimos cinco anos sobre esta temática. Os Colóquios são
independentes de quaisquer forças políticas ou institucionais e asseguram essa
sua “independência” através das inscrições dos participantes contando com o
apoio, ao nível logístico, da autarquia que fez a sua aposta cultural na
divulgação e realização deste importante evento anual.
O povo de Bragança tem ainda uma curiosidade. Naquele distrito
fala-se um português ainda mais vernáculo do que o português corrente. O
certo é que em Bragança, fruto do seu isolamento ao longo de 400 anos – o
IP4 chegou a Bragança há menos de 15 – permitiu que falassem um português
mais próximo do português correcto do que aquele que se fala nas grandes
urbes e que serve normalmente depois para padrão da língua portuguesa
falada”
“A intenção destes colóquios
é diferente da maior parte das coisas que se têm praticado. Ao contrário de
outros colóquios e conferências tradicionais em que as pessoas se reúnem e
no final há uma acta cheia de boas intenções com as conclusões, estes
colóquios visam aproveitar a experiência profissional e pessoal de cada um
dentro da sua especialidade e dos temas que estão a ser debatidos, para que
os restantes oradores possam depois partir para o terreno, para os seus
locais de trabalho e utilizarem instrumentos que já deram resultados
noutras comunidades."
Estes Colóquios
podem ser marginais em relação às grandes directrizes aprovadas nos
gabinetes de Lisboa, mas na prática têm servido para inúmeras pessoas
aplicarem as experiências doutros colegas à realidade do seu quotidiano de
trabalho com resultados surpreendentes e bem acelerados como se acabou de
ver na edição de 2005.
Pelo quarto ano consecutivo teremos o apoio
inequívoco da Câmara Municipal de Bragança que se prepara para editar em
livro as Actas dos quatro últimos Colóquios.
Igualmente se irão manter
as actividades paralelas como a Mostra de Artesanato e a Mostra de Livros,
quer de artesãos transmontanos quer de artesãos da Galiza, bem como de
autores portugueses (e de mirandês) e de autores galegos, o que só vem
demonstrar a vitalidade e a – cada vez mais lata – abrangência destes
Colóquios.
Vai igualmente tentar-se
organizar uma Exposição de Fotografia/Pintura de artistas galegos/lusófonos.
Por outro lado, a
componente lúdica-cultural destes Colóquios permite, algo que não sucede em eventos
deste tipo: a confraternização cordial, aberta, franca e informal entre
oradores e presenciais, caracterizada por almoços e jantares de mais de
trinta pessoas e um passeio ao Parque Natural de Montesinho, a Rio de
Onor, à Cidadela, (e a Miranda do Douro em 2006) em que do convívio saíram reforçados os elos entre as
pessoas, elos esses que se irão manter a nível pessoal e profissional. As pessoas nos anos
transactos puderam
trocar impressões, falar de projectos, partilhar ideias e metodologias,
fazer conhecer as suas vivências e pontos de vista, alargando esta rede
informar que são os Colóquios Anuais da Lusofonia. Este o
segredo por trás da recente campanha que “salvou” o Ciberdúvidas em 2005,
conforme foi dito por um responsável do site numa alocução ao público
presente nas sessões do ano passado.
Os
Colóquios da Lusofonia neste momento já movem cerca de duas mil pessoas
através da sua rede.
Quanto ao futuro
da língua portuguesa no mundo não hesito em afirmar que “de momento está
salvaguardado através do seu enriquecimento pelas línguas autóctones e
pelos crioulos, que têm o português como língua de partida. Enquanto a
maior parte das línguas tende a desaparecer visto que não há influências
novas, o português revela nalguns locais do mundo uma vitalidade fora do
normal. A miscigenação com os crioulos e com os idiomas locais vai permitir
o desenvolvimento desses crioulos e a preservação do português”. Por
isso “não devemos ter medo do futuro do português no mundo porque ele
vai continuar a ser falado, e a crescer nos restantes países”.
Para 2006 como tema central temos o
problema da Língua Portuguesa na Galiza:
Subordinado ao título Do Reino da Galiza até aos nossos dias: a língua portuguesa
na Galiza, o
Colóquio da Lusofonia 2006 irá ter como tema central o problema da Língua
Portuguesa na Galiza: como se impõe uma língua
oficial artificial, que não é falada pela maior parte dos habitantes,
análise da situação, desenvolvimentos nos últimos anos, projectos e
perspectivas presentes e futuras. Ainda em debate estarão os problemas
da Tradução como forma de perpetuar e manter a criatividade da Língua
Portuguesa nos quatro cantos do mundo.

I - Temas:
1. Do Reino
da Galiza até aos nossos dias: a Língua Portuguesa na Galiza
subtemas:
1. Do Galaico-Português até hoje.
Acontecimentos no último século,
1.2.1. Como se impõe uma língua oficial (o
castelhano) que não é falada pela maior parte dos habitantes –
Análise da situação,
1.2.2. Como se regeneram os usos linguísticos duma língua oficial menorizada,
o caso galego – Análise da situação,
1.3. A situação dos direitos linguísticos na Comunidade Autónoma
Galega
1.4. Projectos, perspectivas: o presente e
o futuro da lusofonia europeia (Galiza e Portugal). Análises
comparativa e contrastiva.
1.5.- Linguística e sociolinguística
1.6. - Literatura nacional: língua e
sistema literário
1.7. - ONG culturais e processo
normalizador na Comunidade Autónoma Galega.
2. Tradução
Estudos de Tradução e Interpretação - que futuro?
subtemas:
2.1.
Tradutores e Ferramentas
2.2.
O Ensino da Tradução
e a Tradução no Ensino
2.3.
A tradução como instrumento
de preservação e revitalização linguística
Objectivos:
Tema
1:
Como a sociolinguística tem mostrado nas últimas
décadas as línguas não mudam em bloco. Uma língua, um dialecto, mesmo um
idiolecto não são homogéneos, mas comportam variedades internas que são
parte integrante do sistema. Se o objecto da linguística histórica é a
mudança linguística, o objecto da história da língua é uma língua em
particular, na sua existência definida temporal e espacialmente.
Conhecer a situação na Galiza desde as origens, e a sua evolução. Conhecer
as principais linhas de rumo da literatura galega no período pós-Franco, em
defesa da cultura, dos valores solidários e dos direitos históricos da
Galiza.
O conflito
entre reintegracionistas, normativos e os outros: um genocídio da língua?
Compreender o papel histórico desempenhado pelos intelectuais e políticos
galegos. Extrair conclusões sobre os conflitos e respectivos desenlaces da
História.
Permitir o debate aberto
sobre a língua na Galiza; tanto sobre a sua forma gráfica, como sobre o
conceito de língua (língua isolada ou parte activa do tronco
galaico-português), e a sua difícil situação actual.
A situação
do galego é paradoxal. Se atendermos a critérios linguísticos,
é uma das formas do português e, neste sentido, é uma língua nacional
-uma forma especial, pois foi na antiga Gallaecia que nasceu a língua de
Camões. Mas conforme ao uso maioritário da população, quer no
atinente à ortographia, a formalização da língua ou corpus,
quer atendendo ao estatuto social ou status, em relação ao
castelhano, a situação do galego mais se assemelha a um patuá (patois),
apesar dos avanços observados nas últimas décadas.
No V Colóquio irão
debater-se os modelos de normalização linguística na Galiza e a situação
presente, onde o genocídio linguístico atingiu uma forma nova e subtil, já
não através da perseguição aberta e pública do galego, como em
décadas passadas, mas pela promoção social, escolar e política
de uma forma oral e escrita deturpada, castelhanizada, a par de uma
política de exclusão dos dissidentes lusófonos. Uma Galiza que luta
pela sua sobrevivência linguística, numa altura em que a UNESCO advertiu do
risco de castelhanização total nas próximas décadas.
Delinear linhas de acção
para a propagação e preservação da Língua Portuguesa na Galiza
Tema
2:
Os problemas da tradução serão também debatidos
como forma de perpetuar e manter a criatividade da língua portuguesa nos
quatros cantos do mundo, algo que é importante realçar pois as pessoas não
se apercebem muitas vezes destra vertente. Enquanto a tradução de
obras portuguesas não estiver suficientemente difundida, a Lingua
portuguesa (com uma política da língua
que continua a inexistir) não pode alcandorar-se ao nível de reconhecimento mundial
doutras línguas, quiçá com menos falantes mas dispondo de políticas
linguísticas. Começa a haver um certo número de traduções, nas mais díspares
línguas, de livros
de autores portugueses, mas é altamente deficiente e deficitária. Uma das
formas de preservar a língua é através da tradução. A tradução de obras
permite a divulgação da língua, muito importante na sua preservação.
A explosão das novas
tecnologias permitiu criar preciosos instrumentos de apoio à
tradução. Graças a eles, o tradutor torna-se cada vez mais eficaz,
melhorando o seu trabalho simultaneamente em qualidade e rapidez.
As tarefas de coordenação
ou o trabalho em equipa que caracterizam a profissão de tradutor são
igualmente simplificados mediante a colocação em rede de
competências.
Surgiram vários cursos
superiores de Tradução mas o mercado aparenta saturação, e a maioria
desses cursos parece desajustada à realidade profissional.
Quem apresenta soluções e
propostas de intervenção?
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